Estudos em seres humanos já indicaram, e pesquisas em camundongos agora comprovaram, que é a ativação do próprio sistema de defesa do organismo pela fumaça do cigarro a causa da destruição de células do pulmão dos fumantes que leva ao enfisema.
Considerada uma doença pulmonar obstrutiva crônica, o enfisema tem como principal sintoma a dificuldade em respirar.
O sistema imune atua contra invasores do organismo causadores de doenças, como micróbios.
A defesa é feita por anticorpos que reagem contra substâncias presentes no invasor, os antígenos, e também pelos glóbulos brancos do sangue.
O corpo conclui que a fumaça é um invasor e entra em ação.
Glóbulos brancos especializados em orquestrar a resposta imune são ativados pela fumaça e participam da cadeia de reações que destrói as células do pulmão.
O estudo foi feito com uma câmara que simulava o uso de cigarro pelos camundongos.
Os bichos expostos à fumaça desenvolviam enfisema depois de alguns meses.
A líder do trabalho, Farrah Kheradmand, da Faculdade de Medicina Baylor, no Texas (EUA), afirma que o estudo provou pela primeira vez que as células de defesa dirigem a cascata inflamatória do enfisema causado por cigarro.
Ela lembra que esse tipo de teste não pode, por óbvios motivos éticos, ser conduzido em humanos, mas os resultados com os camundongos "fumantes" comprovaram achados anteriores da equipe com tecido pulmonar de pessoas com enfisema.
A médica lembra que apesar do alcance cada vez maior do enfisema, não há terapia específica para a doença.
Depois do período do experimento, o pulmão dos camundongos ficou com níveis altos de citocinas, substâncias envolvidas na comunicação entre as células, como as do sistema de defesa.
Os genes desses glóbulos brancos ativados pela fumaça foram mapeados. "É como entrar em uma cena de crime", diz Kheradmand.
A fumaça pode provocar o crime, mas algumas células agem como cúmplices, enquanto outras tentam limitar o dano.
Segundo a médica, a inflamação que produz o enfisema pode também levar ao desenvolvimento de câncer.
Cigarro destroi células do pulmão e leva ao enfisema
Maioria dos casos de aneurisma está ligada ao fumo
Dois em cada três casos de aneurisma cerebral estão ligados ao tabagismo.
A informação resulta de pesquisa junto a 250 pacientes atendidos nos últimos dois anos por meio do serviço de neurocirurgia do Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo.
Do grupo analisado, 155 pacientes, 62% do total, fumavam regulamente quando apresentaram o problema, caracterizado pela dilatação anormal de uma artéria cerebral, que pode se romper, provocar hemorragia, e levar à morte.
O tabaco ataca a parede dos vasos sanguíneos do cérebro.
“Já existem estudos provando essa relação, mas não tínhamos ideia de que a porcentagem de tabagistas seria tão alta”, revela o coordenador do serviço de neurocirurgia vascular do Hospital de Transplantes, Sérgio Tadeu Fernandes.
Segundo ele, o cigarro destrói uma proteína elástica (elastina) presente na parede das artérias, tornando-as mais frágeis.
Além de mais vulneráveis ao aneurisma, os fumantes tendem a desenvolver a forma mais agressiva da doença.
“Quem fuma e tem aneurisma corre um risco 10 vezes maior de que esse aneurisma sofra uma ruptura”, diz Fernandes.
O dado é preocupante porque tem relação com a mortalidade causada pela doença: 12% dos pacientes que têm hemorragia cerebral morrem antes de chegarem ao hospital.
Fernandes afirma que, segundo a literatura médica, passados trinta dias após o rompimento do aneurisma, até 50% dos pacientes apresentarão sequelas que impedirão a volta à rotina normal - dificuldades motoras, paralisias, problemas de fala, alterações de força, além de déficit de linguagem e cognição estão entre as principais.
