Estudo realizado com 80 mil mulheres americanas, com idade entre 50 e 79 anos, durante 10 anos, mostra claramente os riscos e benefícios do estilo de vida no combate ao câncer, destacando os perigos do tabagismo para mulheres na pós-menopausa.
As mulheres na pós-menopausa que fumam ou costumavam fumar correm risco até 16% maior de desenvolver câncer de mama do que as que nunca fumaram, segundo a edição online do British Medical Journal (BMJ).
As mulheres que foram extensivamente expostas ao fumo passivo, tanto na infância quanto na idade adulta, também podem correr mais riscos de desenvolver câncer de mama, acrescentaram.
Outra pesquisa separada, publicada pelo British Journal of Cancer, demonstrou que pessoas com estilo de vida mais ativo corriam pelo menos três vezes menos riscos de desenvolver grandes tumores nos intestinos, conhecidos como pólipos, que costumam ser precursores de câncer.
A conclusão baseia-se em apanhado de 20 estudos publicados.
— Há muito sabemos que um estilo de vida ativo pode proteger contra o câncer de intestino, mas esse estudo é o primeiro a examinar todas as evidências disponíveis e demonstrar que uma redução dos pólipos intestinais é a explicação mais provável para isso — disse a principal autora do estudo, Kathleen Wolin, da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em Saint Louis, no Missouri.
Segundo ela, a prática de exercícios traz muitos benefícios, inclusive o fortalecimento do sistema imunológico, reduzindo a inflamação nos intestinos e ajudando a reduzir os níveis de insulina, todos fatores propensos a influenciar o risco de desenvolvimento de pólipos.
Meia hora de exercícios moderados por dia — qualquer um que provoque perda de fôlego suave — e a manutenção de peso razoável são chaves para reduzir os riscos de câncer de intestino, destacou o Cancer Research UK, que publica o jornal.
Mulheres fumantes na pós-menopausa correm risco 16% maior de terem câncer
Mulheres, fujam de fumantes, em casa ou no trabalho ou na vizinhança
Mulheres que moram ou trabalham em locais sem cigarro estão menos propensas a desenvolver câncer de mama, diz uma recente pesquisa.
O alerta vale também para vizinhança; ou seja, quanto mais longe da fumaça do tabaco, melhor para a saúde feminina.
Um grupo de pesquisadores norte-americanos comparou os índices de mortalidade e incidência da doença em casas e escritórios sem cigarro aos índices estaduais daquele país.
Os estados com o maior número de locais sem fumantes apresentaram índice significantemente menor de mortes por câncer de mama, especialmente entre as mulheres jovens na pré-menopausa.
A estimativa dos pesquisadores é que em torno de 20% da mudança nos índices de mortalidade por câncer de mama seja justificada por novas práticas e políticas de casas e escritórios sem cigarros.
Conduzido pelo departamento de comportamento de saúde do Roswell Park Cancer Institute de Buffalo, Nova York, o estudo foi publicado este mês em uma prévia da edição impressa do periódico Tobacco Control.
“Mesmo que as evidências da relação tabagismo passivo e riscos de câncer de mama continuem controversas, este estudo mostra uma correlação inversa bastante forte. Estados americanos com maior incidência de mulheres que trabalham ou vivem em ambientes sem cigarro apresentam menores índices de câncer de mama”, disse Andrew Hyland, autor do estudo.
Seu colega K. Michael Cummings complementou a idéia: “Este estudo fornece mais uma razão para que as pessoas deixem o cigarro e evitem o tabagismo passivo”.
Quem começa a fumar aos 12 anos de idade têm 26 vezes mais chances de consumir maconha
Adolescentes que a fuma cigarro por volta dos 12 anos de idade têm 26 vezes mais chances de experimentar e se viciar em maconha ou outra droga aos 17 anos.
De acordo com estudo da Academia da Finlândia para Programas de Pesquisa sobre o Uso de Substâncias e Dependências, a relação entre o cigarro e o consumo precoce de drogas pode ser motivado por problemas comportamentais, como a impulsividade e a hiperatividade.
A equipe finlandesa levou em consideração fatores como gênero, consumo de álcool pelo adolescente e pela família, número de amigos fumantes, conhecidos que já tiveram contato com drogas e comportamentos agressivo entre os garotos.
"Nossa descoberta corrobora a hipótese do portão de acesso, que afirma que substâncias lícitas, como o cigarro e o álcool, são apenas um passo prévio ao consumo de drogas ilícitas", diz Tellervo Korhonen, uma das responsáveis pelo estudo.
A pesquisadora afirma que o cruzamento de fatores comportamentais com os genéticos pode esclarecer a ligação entre cigarro e drogas.
"Essa hipótese é válida, por isto, queremos ir mais a fundo nos estudos. A impulsividade pode levar o jovem a experimentar mais coisas. Se ele tem acesso ao cigarro, por exemplo, é bem provável que tenha vontade de prová-lo bem cedo. Esse pode ser um caminho para experimentar mais e mais coisas, como a maconha", acrescenta Tellervo.
Enfisema pulmonar, um dos piores males do tabagismo, pode ser identificado antes de sintomas
Exame de sangue simples pode detectar enfisema pulmonar precocemente, antes mesmo do aparecimento dos sintomas mais comuns, como falta de ar e tosse.
A descoberta é de pesquisadores americanos do Weill Cornell Medical Center, em Nova York.
O fumo é responsável por 80% dos enfisemas pulmonares, doença obstrutiva crônica (DPOC).
A doença se caracteriza pela destruição de estruturas do pulmão, que perde progressivamente a função e o doente sente cada vez mais dificuldade para respirar.
A doença é irreversível. É por isso que, quanto antes for feito o diagnóstico, melhor o prognóstico.
"A identificação de fumantes com um início de enfisema pode permitir uma intervenção que evite a destruição permanente dos pulmões", dizem os autores da descoberta, em artigo no "American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine".
O diagnóstico é feito com exames de sopro que medem a função pulmonar.
"A espirometria (exame mais comum) não é muito sensível para detectar a doença no início", diz o pneumologista Pedro Rodrigues Genta, do HCor (Hospital do Coração). Muitas vezes, o diagnóstico acontece só quando os sintomas já apareceram.
O novo exame detecta o início da destruição pulmonar a partir de partículas encontradas no sangue.
Cigarro acaba com os dentes
A afirmação é da dentista Danielli Spina, especialista em estética e prótese.
Segundo ela, pesquisas já comprovaram que o tabagismo está diretamente relacionado à maioria das doenças da boca, inclusive ao carcinoma epidermóide, que é o principal tipo de câncer bucal.
"Estudos evidenciam que quem fuma tem quatro vezes mais chances de contrair periodontite, doença que causa a destruição do osso que sustenta os dentes.
Isso porque o fumo aumenta a descamação da mucosa oral, provoca aquecimento da gengiva e inflamação do tecido, com consequente destruição do tecido ósseo, podendo resultar na perda total do dente. Dependendo da gravidade do caso (tempo de fumo, volume e falta de cuidados com a higiene bucal) a destruição do tecido ósseo pode chegar ao ponto de impedir a colocação do implante. Se o hábito de fumar persistir e a pessoa não tomar os cuidados necessários para manter a boca saudável, pode perder inclusive o implante já feito', diz a dentista..
A profissional lembra que estudo realizado por Elizabeth Krall Kaye, Ph.D., epidemiologista e professora de política de saúde e serviços de pesquisa em saúde na Boston University's School of Dental Medicin, constatou que pessoas que fumam cigarro têm probabilidade até 70% maior de precisar fazer tratamento de canal (endodôntico) quando comparados a não fumantes.
"O ideal para uma boa saúde bucalé parar de fumar. Melhor ainda é nem começar. Mas para aqueles que não conseguem deixar o vício, a melhor opção é prevenir fazendo visitas rotineiras e frequentes ao dentista para higienização e possíveis intervenções que evitem a instalação e agravamento de eventuais problemas, recomenda Spina.
