Por uma juventude livre do tabagismo

A maioria dos fumantes adquiriu o vício antes dos 18 anos e um quarto destes começou a fumar ante dos dez anos

Mirta Roses
Diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (OPS)

Os mercadores do tabaco apontam cada vez mais sua mira para a juventude, mesmo sabendo que o tabagismo é a principal causa evitável de morte no mundo.
A multimilionária indústria do cigarro desenvolve campanhas publicitárias e de mercado altamente sofisticadas para pegar a juventude em suas garras.
Por isso, dedicamos a comemoração do Dia Mundial Sem Tabaco, neste 31 de maio, a combater a nefasta rede promotora do tabagismo.

Pesquisas mostram que a maioria dos fumantes adquiriu o vício antes dos 18 anos. De fato, uma grande quantidade, a quarta parte desse grupo, começou a fumar antes dos dez anos.
Quanto mais cedo se prova pela primeira vez o tabaco, maior a probabilidade de se transformar em um consumidor regular, já que a nicotina tem grande poder de viciar, e é menor a probabilidade de deixar o consumo.
Por esta razão, a indústria do cigarro age intensamente sobre a juventude.

De seu ponto de vista, há uma razão multimilionária para isso.
Mas é macabra. Recordemos que o tabaco mata entre um terço e a metade dos fumantes, e que essas mortes encurtam a vida, em média, em 15 anos.
Além disso, o tabagismo provoca enormes custos adicionais sobre nossos sistemas de saúde, que poderíamos destinar a outros problemas sanitários.
Por suas características demográficas, nossa região é mais vulnerável ao ataque da rede promotora do tabaco.
Das pessoas entre 10 e 24 anos de idade, 85% vive em países em desenvolvimento, que se convertem em alvo principal dessa mortífera indústria, que necessita pegar a juventude para manter seus lucros de dezenas de milhares de milhões de dólares anuais.

A exposição direta ou indireta às estratégias publicitárias e de mercado usadas pela indústria do setor aumenta a experiência dos jovens com o cigarro, com o conseqüente risco de se transformarem em consumidores habituais.
São numerosas as vias diretas e indiretas para promover o hábito de fumar.
Desde a televisão, as revistas e o rádio, até a Internet e a mala direta, passando por pôsters, outdoors, cupons, entrega de prêmios e vinculação de marcas com produtos que não contêm tabaco.
Sem deixar de lado o paradoxo do patrocínio de esportes, nem o desenvolvimento de atos especiais em lugares populares para jovens, como bares e clubes. O que for, para pegá-los.

Frente a um ataque desta magnitude, é imperativo que nossos países se defendam com energia para ter uma juventude livre do tabaco.
Proibir todas as formas de publicidade direta e indireta, incluindo a promoção de seus produtos e o patrocínio por parte da indústria do tabaco de qualquer tipo de atividade seria uma medida altamente eficiente nesse propósito.
Apenas uma proibição total e ampla pode reduzir efetivamente o tabagismo.
Estudos feitos em países que proibiram a publicidade mostraram uma queda do consumo de até 16% como resultado dessa medida, e também é claro que as proibições parciais têm pouco ou nenhum impacto, já que os anúncios simplesmente migram para meios alternativos.

Para comemorar o Dia Mundial Sem Tabaco, temos que convencer os legisladores a adotarem uma proibição integral por lei de toda forma de publicidade, promoção e patrocínio dos derivados do tabaco.
Devem estar conscientes de que as políticas voluntárias não funcionam, pois a indústria do setor não tem o menor interesse nelas e não são resposta aceitável para proteger o público, especialmente os jovens, das táticas dos promotores do tabagismo.

Na OPS, continuaremos lutando para que a região das Américas aumente o número de Estados partes do Convênio Marco da Organização Mundial da Saúde para o Controle do Tabaco.
Neste momento, é a região do mundo com menor porcentagem de países que ratificaram esse Convênio, apenas 23.
O último foi a Colômbia, no dia 10 de abril de 2008.
Chamamos os jovens, a sociedade civil e o público em geral a participarem desta luta por uma juventude livre de tabagismo e que solicitem dos encarregados de tomarem decisões políticas que proíbam a publicidade, a promoção e o patrocínio dos derivados do tabaco.
Defendamos a vida, vamos proteger os jovens e as crianças, vamos romper a rede promotora do tabagismo.

Lei no Canadá multa quem fumar dentro de carro com crianças

Medida faz parte da preservação de fumantes passivos na província de Ontário.
Enquanto alguns países, incluindo o Brasil, ainda têm dificuldades para fazer cumprir as leis antitabagismo em lugares triviais como bares e restaurantes, outros aprovam leis cada vez mais severas.
É o caso do Canadá.
O governo da província de Ontário sancionou uma lei que proíbe adultos de fumarem dentro dos carros se estiverem levando crianças menores de 16 anos.
Quem for flagrado fumando será multado em 250 dólares canadenses (cerca de R$ 400).