O fim dos fumódromos, defendido pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, recebeu o apoio de 43 entidades governamentais e não governamentais durante o Fórum Tabagismo Passivo e Legislação sobre ambientes Livres de Fumo, realizado no Rio de Janeiro.
Representantes dessas entidades destacaram que a iniciativa de Temporão é importante na defesa da saúde pública brasileira.
O ministro vai apresentar a medida até o final desse mês de seteembro, dentro do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) da Saúde.
O PAC vai propor que o governo encaminhe um projeto de lei ao Congresso, acabando com as áreas destinadas aos fumantes em ambientes fechados, tornando-os 100% livres da fumaça do tabaco.
Organizado em parceria pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), o fórum reuniu organismos representativos da sociedade civil. O diretor do INCA, Luiz Antonio Santini, presente ao encontro, disse que é hora de avançar para um novo patamar: “Em recente pesquisa sobre a concepção do brasileiro sobre o câncer, quase 100% dos entrevistados disseram que o tabaco é fator de risco para a doença.
Prova de que a estratégia de comunicação utilizada até hoje foi bem-sucedida. Mas é preciso focar, agora, em grupos específicos, com necessidades individuais, como estudantes e trabalhadores, por exemplo”.
Santini lembrou ainda que a mudança da lei não é uma proposta isolada, mas vêm dentro da estratégia do PAC, fazendo parte de uma política de saúde pública. Paula Johns da Aliança de Controle do Tabagismo, representando, no evento, cerca de 280 Organizações não Governamentais (Ongs), apontou as inconsistências no texto da lei 9294/96, que dispõe atualmente sobre o fumo em ambientes fechados: “ela não está alinhada com a Convenção-Quadro; está defasada em relação às evidências científicas sobre os males do tabagismo. Além disso, não assegura ambientes 100% livres do fumo”, explica.
O projeto de lei que proíbe os fumódromos vem em consonância com a decisão dos 146 países representados na 2ª Conferência das Partes, responsável por determinar internacionalmente a implantação do tratado, realizada entre os dias 30 de junho e 6 de julho, na capital da Tailândia, Bangkok.
No encontro, o Brasil e demais países que ratificaram o tratado internacional da Organização Mundial de Saúde, OMS, firmaram o compromisso de adotar ambientes livres da fumaça do tabaco.
As orientações aprovadas determinam a direção que os governos devem seguir e reforçam o fato de que ventilação e filtragem do ar não são suficientes para reduzir a exposição passiva aos malefícios da fumaça.
O presidente do Sindicato dos Garçons, Barman e Maitres do estado do Rio de Janeiro (SIGABAM), Waltair Rodrigues, ressalta a importância do apoio da imprensa e da população: “Nós não podemos escolher se vamos atender o cliente fumante ou não fumante. Tenho colegas que nunca fumaram e têm problemas relacionados ao tabagismo. Pedimos que todos nos ajudem a preservar a nossa vida”, disse ele.
Fonte : Divisão de Comunicação Social - INCA
Representantes da sociedade civil apóiam o fim dos fumódromos
Pesquisa liga rugas a doença em fumantes
Estudo do Royal Devon and Exeter Hospital, na Inglaterra, mostrou que fumantes de meia-idade com propensão a rugas têm cinco vezes mais risco de apresentar doenças pulmonares do que os que não são enrugados.
A pesquisa, que saiu na publicação internacional de medicina respiratória Thorax, mostrou que as rugas são associadas à doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que engloba condições como enfisema, bronquite e asma.
O Dr. Bipen Patel, que liderou a equipe do estudo, disse que há suscetibilidade genética à DPOC.
- O que esta pesquisa mostra é que aqueles que têm tendência a ter doenças respiratórias também têm tendência a ter rugas - diz ele.
Médicos ingleses já estão aconselhando pacientes, médicos e enfermeiras a procurar sinais de rugas prematuras, além de sintomas tradicionais como tosse e falta de ar, como forma de diagnosticar doenças respiratórias em fumantes ainda nos primeiros estágios.
A Organização Mundial da Saúde estima que a doença pulmonar obstrutiva crônica será a terceira maior causa de mortes no mundo até 2020.
O hábito de fumar já é considerado responsável pelo envelhecimento prematuro da pele e por causar a maior parte dos casos de doença pulmonar obstrutiva crônica, mas nem todos os fumantes são afetados.
Os pesquisadores ingleses estudaram 149 fumantes e ex-fumantes, com idades entre 45 e 70 anos, de 78 famílias.
Nesse grupo, 68 pessoas tinham DPOC; das 25 com rugas severas, 21 tinham a doença respiratória.
Depois de levar-se em conta a idade e o número de anos que as pessoas tinham fumado, chegou-se à conclusão de que os fumantes mais enrugados tinham cinco vezes mais risco de ter DPOC.
O porta-voz da British Skin Foundation, professor Chris Griffiths, da Universidade de Manchester, diz que a ligação entre o fumo e as rugas é bem documentada.
- Isso é associado ao estímulo que o cigarro dá às enzimas responsáveis pelo processamento de colágeno e dos tecidos elásticos na pele. As doenças respiratórias crônicas também são associadas à perda de elasticidade nos pulmões, que pode ser comparada ao enrugamento da pele - diz Griffiths.
Para o professor, "seria interessante especular que a suscetibilidade a rugas causadas pelo sol e a presença de enfisema pulmonar seriam causadas pelo mesmo tipo de mecanismo."
Tosse dos fumantes não é apenas doença de fumante, diz estudo
A notícia foi divulgada pela agência Bloomberg: a doença pulmonar obstrutiva crônica, um distúrbio que pode ser prevenido e que é causado, em grande parte, pelo fumo, é percebida erroneamente como moléstia típica de fumantes, mascarando a ameaça que representa à saúde pública e restringindo a adoção de tratamentos, disseram cientistas.
A condição, conhecida como DPOC, está matando um número cada vez maior de não-fumantes, e seu predomínio é mais elevado do que se estimava, segundo um estudo publicado no último dia 31 de agosto pela revista médica The Lancet.
Alergias, tuberculose e a falta de ventilação podem causar a doença, que é a quinta causa de morte no países cuja população tem renda alta. Uma mudança na forma pela qual as pessoas vêem a DPOC pode ajudar a salvar mais vidas, segundo editorial que acompanha o artigo.
Mais de 2,5 milhões de pessoas morrem devido à DPOC todos os anos, o mesmo número de pessoas que morrem devido ao vírus HIV e à Aids, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O envelhecimento das populações mundiais e o uso continuado do tabaco poderão alçar a DPOC ao posto de terceira maior causadora de mortes até 2020, estima a OMS.
Devido a seu estigma de doença auto-infligida, o número de diagnósticos da DPOC geralmente é menor do que o real e a doença acaba não sendo tratada, disseram cientistas, entre os quais A. Sonia Buist, professor de medicina da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon em Portland.
"Se todos os fumantes do mundo parassem de fumar hoje, as taxas de DPOC provavelmente continuariam aumentando durante os próximos 20 anos", escreveram na Lancet Buist e seu colega David M. Mannino.
Um estudo realizado pelos cientistas junto a mais de 9.000 voluntários, que foram selecionados aleatoriamente, mostrou que um em cada 10 adultos com mais de 40 anos sofre de estágios avançados de DPOC.
O predomínio da doença aumentou com a idade e se mostrou semelhante entre pessoas que nunca haviam fumado na comparação com os participantes que fumaram por determinado período.
Os resultados mostraram predomínio maior da doença do que o observado em estudos anteriores, disse Buist.
A DPOC causa inflamação das principais vias respiratórias do pulmão e um acúmulo de muco, gerando falta de ar e uma tosse persistente.
Mais de 15% dos casos de DPOC ocorrem em pessoas que nunca fumaram, segundo o editorial da Lancet.
Apesar de o tabagismo ser o fator de risco mais importante nos países com população de alta ou média renda, os países com população de baixa renda registram níveis maiores de poluição em ambientes fechados.
